O gerúnio, do baianes…?!

Quem é da Bahia vai logo se identificar com tudo ou quase tudo. Quem não é, vai aprender um pouco do nosso “dialeto”.Ao contrário do que muitos pensam, o Baianês não é falado lentamente, mas sim cantando.

Não existe o gerúndio, mas sim o gerúnio: o “d” no “-ndo” é excluído, o que resulta em falano, correno, ao invés de falando ou correndo.

A letra G (fala-se guê) também não é usada na maioria das frases quando tem som de J (Ji), dando lugar ao R (Rê). Como, por exemplo, “a gente” (fala-se arrente).

Mas em alguns casos, também a letra S pode incorporar o som de R (Rê), de forma que a frase “As camisas” tome a pronúncia de “Ar camisa” e “As mulheres” se converte em “Ar mulé”.

A propósito, o pronome nós não existe em Baianês. Usa-se em seu lugar o “agente”, nesse caso, escreve-se junto, e é o único pronome a ter conjugação no plural: “arrente vamo”.

Fora “arrente e “eu”, todos os outros pronomes levam a mesma conjugação: tu vai, ele vai, vocês vai, eles vai.

Não existe plural, salvo algumas exceções, nas quais o “s” final nunca é pronunciado, a exemplo de “arrente vamo”.

Em baianês, uma frase nunca é concluída.

Existem alguns verbos novos, como “bora” ou apenas “bó”, que significa “vamos” (acompanhe a evolução: originalmente “vamos em boa hora” – “Vamos embora” – “Vumbora” – “‘Bora” – “Bó”) e também pode ser dito em forma repetitiva-poética como “borimbora” (“Vumbora embora”) .

Os exemplos abaixo só corroboram que existe uma capacidade inata no baiano em poupar energia. O caso clássico consiste na evolução do “Vossa Mercê” em “Vosmissê”, após no já comum “Você”, então no atualmente utilizado “Cê” e já foram encontrados casos de comunicação natural através do “Rummm” (som de grunido).

Algumas frases cotidianas:

“Colé, meu bródi!” – Olá, amigo.

“Colé, misera!” – Olá, amigo.

“Colé, meu peixe” – Olá, amigo.

“Colé, men!” – Olá, amigo.

“Diga aê, disgraça!” – Olá, amigo.

“Digái, negão!” – Olá, amigo. (independente da cor do amigo)

“E aí, viado!” – Olá, amigo. (independente da opção sexual do amigo)

“E aê, meu rei!?” – Olá amigo.

“Ô, véi!” – Olá amigo.

“Diga, mô pai!” – Oi para você também, amigo!

“E aí, misera!” – Olá, amigo!

“ÊA!” – Olá, amigo.

“Colé de mêrmo?” – Como vai você?

“É niuma, miserê” – Sem problemas, amigo.

“Relaxe mô fiu” – Sem problemas, amigo.

“Cê tá ligado qui cê é minha corrente, né vei?” – Você sabe que é meu bom amigo, não é?

“Bó pu regui, negão?” – Vamos para a festa, amigo?

“Aí cê me quebra, né bacana” – Aí você me prejudica, não é meu amigo?

“Aooonde!” – Não mesmo!

“Vô quexá aquela pirigueti” – Vou paquerar aquela garota.

“Vô cumê água” – Vou beber (álcool).

“Colé de mermo?” – O que é que você quer mesmo? (Caso notável de compactação!)

“Eu tô ligado que cê tá ligado na de colé de merma” – Estou ciente do seu conhecimento a respeito do assunto.

“O brother tirou uma onda da porra”. – O cara ‘se achou’.

“Tá me tirando de otário é?” – Está me fazendo de bobo?

“Tá me comediando é?” – Está me fazendo de bobo?

“Se plante!” – Fique na sua.

“Se bote ae, vá!” – Chamada ao combate físico

“Eu me saí logo” – Eu evitei a situação.

“Shhh…Ai, mainhaaa” – Até hoje não se sabe a tradução. Sabe-se apenas que nas músicas de pagode, o vocalista está excitado com sua respectiva amante.

“Oxe!” – Todo baiano usa essa expressão para tudo, mas um forasteiro nunca acerta quando usa.

“Lá ele!” ou “Lá nele” – Eu não, sai fora, ou qualquer outra situação da qual a pessoa queira se livrar ou passar para outro.

“Lasquei em banda!” – meteu sem dó nem pena.

“Biriba nela mô pai” – Manda ver! (no sentido sexual da coisa)

“Ó paí ó” – Olhe para aí, olhe! – Essa espressão foi utilizada pela primeira vez pelo capitão português Manoel da Padaria a frente da Nau Bolseta, que por infortúnio (leia-se burrice) perdeu-se da frota portuguesa no caminho para as índias e veio parar na Bahia. Desde então foi resgatada pelo povo baiano, assíduo leitor de Camões, já que trata-se de um texto apócrifo d’Os Lusíadas, que nem os portugueses sabiam (Nenhum jamais concluiu a leitura do clássico). É muito usada por aqui, tanto que virou filme, peça teatral, música, marca de refrigerante, água de coco, barzinho, cerveja, igreja….

“Num tô comeno reggae!” – Não estar acreditando ou dando muita importância.

“Num tô comeno reggae de (fulano)!” – Não estar com medo de provocação/ameaça de (fulano)

“Tome na seqüência misêre” – Tomar o troco de algo ruim que vc fez

“Eu quero prova e R$ 1,00 de Big-Big!” – Não acreditar. O “Big-Big” é um chiclete muito valorizado por pessoas de todas as classes.

“Sai do chão!” – Frase típica e predileta das bandas de axé. O intuito da mesma é de que indivíduo se agite e curta o som tocado em questão.

“Rumaláporra!” – Agir violentamente contra alguém ou algo.

“Picá a porra!” – Agir violentamente contra alguém ou algo.

“Rumaládisgraça” – Agir violentamente contra alguém ou algo.

“ei, ó o auê aí ô” – tida como unica frase universal a utilizar apenas vogais e ter sentido completo, significa ‘parem de baderna.’

“Bó batê o baba” – Chamar os amigos para uma partida de futebol

“Bó pro reggae” – Chamar os amigos para a balada

Salvador é também conhecida por ser uma cidade cujo dialeto deu um LAR aos mais diversos impropérios do cancioneiro popular local .

Possivelmente você um dia já foi convidado a visitar “A casa da porra”, “a casa do caralho”, “a casa da desgraça”!

Lá também existe a “Casa de Noca” que ninguém sabe onde fica, mas sabe-se que lá sempre o “couro come”.

“Hoje eu to na bruxa” – Hoje eu to muito loco
Colaboracao: ZEBAU

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